sábado, 1 de janeiro de 2011

um diálogo a sós

eu amo o fulano. uma vez por mês tomamos um vinho, eu durmo com ele, acordo com ele, faço café para ele, e ele vai embora. ponto, acabou alí. mas eu amo ele, do momento em que ele entra na minha casa até a hora que vejo o carro dele dobrar a esquina.
eu também amo o ciclano. toda vez que ele está cansado e entediado e passamos a madrugada jogando conversa fora e dando risada da vida, falando de ideia comunistinhas. eu amo ele durante todas as nossas conversas, mesmo que não acabe em sexo naquela noite.
mas eu amo mesmo é beltrano. toda vez que ele atravessa minha vida com aquele olhar intrigante que eu nunca fui capaz de vencer. com aquele jeito impetuoso de dizer "eu sei..." quando percebe que no fundo no fundo é ele quem eu mais amo. mesmo sabendo que nunca terei seu corpo como minha recopensa.

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