segunda-feira, 27 de junho de 2011

despois da despedida vem a nostalgia

carta para o menino shermann

quando ele passa, o marujo português
não anda, passa a bailar, como ao sabor das marés
e quando se ginga, faz tal jeito, tem tal proa
só para que não distinga
se é corpo humano ou canoa

chega à lisboa, salta do barco e num salto
vai parar à madragoa ou então ao bairro alto
entra em alfama e faz de alfama o convés
há sempre um vasco da gama num marujo português

quando ele passa com seu alcance vistoso
traz sempre pedras de sal, no olhar malicioso
põe com malícia a sua boina maruja
mas se inventa uma caricia, não há mulher que lhe fuja

uma madeixa de cabelo descomposta
pode até ser a fateixa de que uma varina gosta
quando ele passa, o marujo português
passa o mar numa ameaça de carinhosas marés

quando ele passa, o marujo português
passa o mar numa ameaça de carinhosas marés


[maria bethânia]

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